quarta-feira, 9 de outubro de 2019
Sim à popularização, não à setorização!
Apesar de a atual diretoria ter começado a gestão dizendo que “não existe esse negócio de popular, o Vitória tem que parar com isso”, fomos surpreendidos durante a semana com a proposta de setorização do Barradão, justificada pela disponibilização de ingressos de baixo custo.
Uma boa notícia?
Sim e não. Sim, pois defendemos um clube de ingressos populares, assim Paulo Carneiro foi, mais uma vez, derrotado em seu projeto de elitizar o Vitória; não, pois somos contra a setorização do Barradão, o maior patrimônio (material e imaterial) do clube.
Setorizar é elitizar
Além de reservar os lugares com melhor visibilidade para torcedores com maior poder aquisitivo, o projeto de setorização também reforça o abismo entre mais ricos e mais pobres. Porém todos nós devemos ter os mesmos direitos!
O estádio de futebol é um dos poucos lugares em que o direito de circular livremente pelos espaços é igualmente garantido a todos, unidos pelo seu amor a um clube. Setorizar significa, literalmente, colocar o pobre “no seu devido lugar”, discurso repetido e enfatizado pelas elites em diversos espaços e momentos da sociedade.
Setorizar não garante o aumento das receitas do clube
O aumento da receita com a setorização é o argumento defendido por muitos torcedores. Entretanto, ele não leva em consideração o tipo de equipamento e a composição social da torcida, o que torna perigosa a importação de modelos relativamente bem-sucedidos, no quesito financeiro, aplicados em outros clubes. O tiro pode sair pela culatra!
Já parou para pensar que talvez a torcida do Vitória não compre a ideia, pois não pode pagar mais do que já paga ou não tenha interesse em pagar mais pelo produto hoje oferecido?! E não nos referimos ao Barradão, que precisa mesmo de reformas, mas ao time e o seu futebol de péssima qualidade. Afinal, não é isso que está acontecendo com a fatídica escolha de migrarmos para a Fonte Nova?!
É preciso ser inteligente
Se, por um lado, investir nos planos de sócios tem se mostrado um caminho sem volta, por outro, é possível garantir a presença de todos os torcedores juntos. É possível oferecer planos mais caros a quem puder pagar, dando em troca benefícios que não interfiram no direito irrestrito de torcer e circular pelo estádio, a exemplo de brindes, descontos em produtos e ações focadas neste público de maior renda. Definitivamente, não há necessidade de dividir os torcedores em espaços distintos.
O Barradão é o nosso diferencial
O Barradão é um estádio que resguarda o seu caráter democrático, onde torcedores de várias classes sociais podem se encontrar e fazer juntos a festa. Essa é a nossa identidade, esse é o nosso diferencial. Abrir mão disso é descaracterizar a nossa bela cultura torcedora.
Está na hora da diretoria do clube entender isso e usar desse potencial para tirar o Vitória da crise. Por isso, defendemos um estádio sem setorização, onde todas as classes possam se encontrar para apoiar o time.
Brigada Marighella
quarta-feira, 25 de setembro de 2019
Respeitem a torcida do Vitória!
Em nome de um contrato com cláusula de confidencialidade, a Arena Fonte Nova vem maltratando a torcida do Vitória com a conivência da atual diretoria do clube. Parece que somos indesejados naquele local, pois desde a sua reinauguração é assim que somos recebidos, apesar dos bilhões de reais de TODOS os baianos que serão ali investidos.
Para piorar, o sócio-torcedor mais fiel, exatamente aquele que jamais abandonou o time, foi empurrado para o pior lugar da Arena e, agora, é obrigado a assistir aos jogos em um setor superlotado enquanto o resto do estádio permanece vazio. Um absurdo! Sequer sabemos a quem cobrar, pois não há transparência.
Pessoas com dificuldade de locomoção, crianças e idosos se apertaram ontem (24/09) no setor superior leste da Arena Fonte Nova, subiram infinitos degraus, pagaram caro na cerveja, se espremeram na fila de entrada e nas escadas de saída. Tudo isso em nome da modernidade, do conforto e da segurança em oposição ao nosso Barradão, supostamente defasado.
Além disso, as torcidas organizadas estão na prática impedidas de fazer a festa, pois nunca sabemos de antemão onde ficaremos no estádio, tirando toda possibilidade de nos apropriamos do novo equipamento. Não pertencemos àquele lugar e querem que continuemos assim: sentindo-nos meros visitantes, apesar do alto preço do ingresso.
Apertados, apartados, sem instrumentos, sem bandeiras, sem lugar pré-definido e muito longe do gramado, ainda assim empurramos o time com a esperança de, aos gritos, espantar a má fase, o péssimo futebol praticado e todo o desrespeito que é direcionado à torcida do Vitória.
Em resumo, estamos sendo diariamente atacados pela atual diretoria e enfrentamos o descaso da Arena. Porém, não dá mais! O E.C. Vitória nos pertence! A Fonte Nova nos pertence! E vocês vão ter de respeitar a torcida daqui para frente. Por isso convidamos todos os rubro-negros e rubro-negras a se rebelar contra esses absurdos. Junte-se à Brigada Marighella e aos demais coletivos de torcedores organizados e vamos mostrar a eles o que significa "virar o jogo".
Brigada Marighella
sexta-feira, 20 de setembro de 2019
Parabéns, Olodum!
Para além dos 120 anos do Esporte Clube Vitória, 2019 é o marco de 40 anos de uma das entidades mais importantes da história do povo negro, e consequentemente da construção da identidade negra na Bahia, o Bloco Afro Olodum.
Criado em 1979, com intuito de proporcionar um carnaval mais organizado e divertido para os moradores do Maciel-Pelourinho, tornou-se muito mais que isso, tanto para o Pelourinho, quanto pra toda história da Bahia. Isso fez com que chamar de Bloco Olodum se tornasse uma maneira muito reducionista, já que além de bloco que arrasta anualmente uma multidão alegre cantando a auto-afirmação negra e ideais de libertação panafricanistas. O Olodum é um projeto socio-cultural, que atua, sobretudo, a partir da Escola do Olodum, e de uma banda, que historicamente revelou inúmeros cantores e canções pra musica baiana e mundial.
Nós da Brigada Marighella desejamos ao Olodum muitos e muitos anos de resistência, que as cortinas dos palcos da vida possam continuar abrindo para o Olodum balançar a negrada, educar crianças e jovens, formar músicos, revelar compositores e cantar Samora Machel, Che Guevara, Ujaama, Egito toda história de Africa e suas lutas de libertação.
Brigada Marighella
quinta-feira, 19 de setembro de 2019
Setembro Amarelo
No dia 17/09, no auditório do Sindicato dos Bancários, ocorreu a palestra de prevenção ao suicídio, promovido pelo coletivo feminino do Vitória (Leoas da Barra, Comando Feminino da TUI, Elas na Bancada, Loucas pelo ECV e a Brigada Marighella, através do núcleo Brigada Dandara).
Os diálogos foram desenvolvidos diante das exposições das psicólogas Raquel Fernandes e Tamires Sales e ficou claro que falar de suicídio, conhecer as causas que o antecedem e as formas de preveni-lo, é um caminho de olhar com cuidado para uma saúde mental fragilizada.
A campanha "Setembro Amarelo" acontece todo mês de setembro e foi proposta pelo Centro de Valorização da Vida - CVC. Serve de alerta para a sociedade como um todo.
No caso deste debate promovido por um coletivo de torcedoras, foi comprovado que, para além da arquibancada, há uma compreensão que as diversas expressões da questão social interferem no conjunto de pessoas que sentam nas arquibancadas para ver os jogos. Ou seja, partir de uma luta de popularização do futebol é entender que a acessibilidade aos jogos está conectada, também, a um bom estado de saúde mental.
Uma pessoa assídua aos jogos que "do nada" deixa de frequentá-los por causa de uma crise de pânico ou ansiedade, ao assistir uma palestra dessa percebe que sua paixão pelo seu time condiz com suas lutas internas nos estágios de vulnerabilidade.
Saiba que não é falta de fé ou força e que você não está só!
Procure a rede de proteção mais próxima de sua casa, procure um posto de saúde, saiba que há atendimentos gratuitos em faculdades de psicologia e que você pode ligar para o CVC para pedir ajuda através do número 188.
Brigada Dandara
domingo, 8 de setembro de 2019
Em defesa do futebol feminino!
Atuando na contramão do cenário nacional e mundial de
fortalecimento e valorização do futebol feminino, o Esporte Clube Vitória
anunciou que o nosso time da categoria não disputará o próximo campeonato
baiano, desistindo assim de buscar o bicampeonato.
Não é surpresa nem novidade que a atual gestão do Vitória é
machista, não tem priorizado o futebol feminino e desde o início tem atacado o
nosso time com declarações e políticas de desvalorização. Em uma das suas
falas, o atual presidente chegou a dizer que vai “encontrar uma solução para o
futebol feminino porque é obrigado por lei”, deixando claro que não existe
projeto para a categoria.
Apesar disso, o time feminino do Vitória teve o melhor
desempenho de um clube nordestino no Campeonato Brasileiro A1 (a elite da
categoria), conseguindo a nona colocação e garantindo assim a sua manutenção na
primeira divisão do futebol brasileiro em 2020. O sub-18, apesar de ter saído
na segunda fase, conseguiu se manter na série A2.
A postura da direção do Vitória reflete mais uma vez o
descaso com o futebol feminino. Além de não participar do campeonato do baiano,
dispensou e desprofissionalizou as atletas. Com o discurso de falta de recurso,
desmonta um cenário promissor do clube, além de relegar às mulheres um espaço que
não nos cabe. Vale lembrar que manter o time feminino inteiro é mais barato que
alguns dos salários do time masculino.
O que a diretoria e a torcida do Vitória precisam entender: o
futebol feminino tem crescido no país e no mundo e gerado uma receita positiva
para os clubes, tanto financeiramente quanto de crescimento e empolgação da
torcida e valorização das mulheres no esporte.
Faz 40 anos que o futebol feminino deixou de ser proibido
por lei e clubes brasileiros de grande expressão (a exemplo do Internacional,
Ceará, Grêmio, Santos etc.) têm investido cada vez mais na modalidade. O artigo
23 do estatuto da CBF determina que clubes e federações tomem medidas contra a
discriminação e a desigualdade de gênero, sendo obrigados a manter times de
futebol feminino. Sete clubes da Série A do Brasileirão masculino já possuem
departamentos de futebol feminino, seis clubes têm projetos em estruturação e
dois iniciaram o planejamento.
Houve a ampliação do Brasileirão feminino por determinação
da FIFA, da CBF e das equipes com investimento na categoria nos campeonatos
nacionais, ampliando o alcance e visibilidade dos clubes que disputaram a Série
A1. Outro avanço importante do futebol feminino é a garantia de transmissão ao
vivo na TV aberta de todos os jogos da seleção nacional da categoria.
A presença da modalidade em clubes de expressão no país é um
marco para o desenvolvimento do futebol feminino. Por isso repudiamos
veementemente a postura da atual diretoria, que de maneira machista tenta
desmontar todo o trabalho histórico dedicado ao fortalecimento do futebol
feminino e da profissionalização dessas atletas.
quinta-feira, 8 de agosto de 2019
Contra a censura e em defesa da democracia!
A Brigada Marighella vem a público repudiar veementemente a censura imposta a determinados veículos da imprensa local, impedidos de entrar no Estádio Manoel Barradas, e solicita a imediata revisão da medida. Entendemos que, sem uma imprensa livre, não é possível existir uma democracia saudável, pois a liberdade de expressão e o acesso à informação são direitos fundamentais.
Também registramos a nossa preocupação com a forma amadora e egocêntrica que vem sendo gerida a comunicação do EC Vitória. Além de representar a identidade do clube, a gestão da comunicação é uma parte fundamental do processo de reaproximação da torcida nesse momento tão difícil. Todos os erros cometidos nesse aspecto nos deixam profundamente envergonhados, assim como as inúmeras derrotas em campo. Solicitamos, então, que o presidente do clube respeite o protagonismo dos canais oficiais do clube daqui para frente.
Apesar disso, não podemos deixar de fazer uma crítica, de forma igualmente rigorosa, aos veículos sensacionalistas de comunicação. Como se já não bastasse a má vontade de parte da imprensa local para com o EC Vitória, agora um “jornalismo-caveira” do “quanto pior, melhor” não deixa a paz chegar ao Barradão. Mente, manipula, tumultua. Esse tipo de jornalismo, ao invés de defender a democracia, acaba por prejudicá-la. Censura, jamais. Boicote, sim!
Quanto ao centro da polêmica atual, a possível migração do EC Vitória para a Arena Fonte Nova, é preciso cobrar dos gestores do consórcio, do Governo do Estado e dos órgãos de controle um tratamento igualitário e transparente para com todos os interessados que desejem utilizar do equipamento. O EC Vitória é uma instituição centenária e é um patrimônio do nosso estado, merece respeito! Além do mais, a Arena Fonte Nova, apesar da gestão temporariamente privada, é de propriedade de todos os baianos e o EC Vitória tem a sua história intimamente ligada àquele equipamento. A Fonte Nova é tão nossa quanto de qualquer outro! Que se encerrem as disputas político-partidárias disfarçadas e que sejam respeitados os princípios constitucionais e os da Administração Pública, imediatamente.
Por último, reafirmamos a defesa ao nosso maior patrimônio: o Estádio Manoel Barradas. Infelizmente, a crise financeira e institucional pela qual passa o nosso clube deixa a torcida entre a cruz e a espada. Entretanto, mesmo mudando o mando de campo, não podemos abandonar a nossa casa, o Barradão, muito menos rejeitar o caráter popular da nossa torcida. Independentemente de onde jogarmos, seremos contra a re-elitização do EC Vitória.
Brigada Marighella
sexta-feira, 31 de maio de 2019
Apesar de você, o Vitória é um time popular!
Infelizmente, já não nos causa espanto as declarações do atual presidente do Esporte Clube Vitória, o Sr. Paulo Carneiro. Pouco mais de um mês após eleito, já podemos afirmar que a sua gestão terá um caráter elitista, autoritário, excludente e, além de tudo, será também amadora.
Atuando na contramão dos demais clubes do país, em especial dos grandes nordestinos – que buscam abrir suas portas para todos os torcedores, abraçando as camadas populares e a diversidade, fazendo dos estádios um lugar de festa e de encontro – Paulo Carneiro majora o preço dos ingressos, destrói os canais de comunicação do clube, promove festa exclusiva para a falida aristocracia soteropolitana e, agora, se recusa a vender as camisas oficiais do Vitória por um preço popular.
No lançamento do novo uniforme, momento que sempre foi de confraternização, o presidente aproveitou para atacar os torcedores que defendem um Vitória popular e democrático, e disparou: “não existe essa história de preço popular. Precisamos de dinheiro. Quem sempre foi time popular não é o Vitória, vocês sabem muito bem que é”. Lamentamos profundamente esta declaração, pois é mentirosa e não representa o pensamento de toda nossa torcida.
Não sabemos com base em qual pesquisa o atual presidente do Vitória afirma essas barbaridades. Todas as suas decisões parecem ser tomadas com base em preconceitos ou conceitos ultrapassados. As únicas pesquisas às quais temos acesso afirmam exatamente o oposto: os aproximadamente 3 milhões de torcedores do Vitória são das camadas populares de Salvador e do estado, formando uma torcida majoritariamente feminina, jovem e periférica. A força popular do Vitória, que se expressa nas arquibancadas, vem da estreita relação construída entre o clube e as comunidades do entorno do Barradão. É essa a cara (e a renda) da torcida rubro-negra, quer ele e o grupo dele gostem ou não.
Nossa maior preocupação, entretanto, não é se a camisa custará $220 ou $100 reais, mas com o conjunto da obra. As medidas e declarações de Paulo Carneiro afastarão os torcedores ainda mais do Barradão, atrairão menos recursos para os cofres do clube e deixarão uma mancha na nossa história, exatamente quando deveríamos estar fazendo o oposto.
Agora é o momento de recuperar o clube e a autoestima da torcida após desastrosas gestões, mas isso não pode ser feito através de áudios de Whatsapp ou de chantagens, mas com planejamento, profissionalismo, respeito e democracia. Só assim voltaremos a fazer do Barradão um caldeirão capaz de empurrar times limitados rumo às conquistas.
Brigada Marighella
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