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segunda-feira, 13 de julho de 2020

ATENÇÃO! ESTÁ NO AR A NOVA RÁDIO LIBERTADORA!




Nesta segunda parte, Mário Magalhães e Maria Marighella nos contaram ainda mais detalhes da vida do revolucionário baiano, em especial, a relação dele com a cultura, a arte os artistas.

 Conversamos também sobre capoeira, feminismo, ditaduras e repressão. E, mais do que isso, sobre a baianidade de Carlos Marighella.

Aperte o play que o negócio está bom! Clique aqui.

Ah, quem perdeu a primeira parte desta conversa, chegue aqui:

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3 - Deezer

4 - Castbox

segunda-feira, 6 de julho de 2020

#06 - Marighella: Futebol, Arte e Revolução


UMA EDIÇÃO HISTÓRICA!

Está no ar o episódio #6 da Nova Rádio Libertadora: Marighella: Futebol, Arte e Revolução (parte I).

 Neste episódio conversamos com Mário Magalhães (jornalista e autor da biografia "Marighella: o guerrilheiro que incendiou o mundo"), Maria Marighella (atriz, neta do revolucionário baiano) e Wagner Moura (ator e diretor do filme "Marighella"). Na primeira parte desta conversa abordamos a infância soteropolitana de Carlos Marighella, o seu assassinato covarde pela ditadura militar, a relação do nosso homenageado com o futebol e a arte, e, claro, o filme que ainda não estreou no Brasil.

Ouça, comente e compartilhe! Já estamos em todas as plataformas.

Para acessar os links do nosso podcast basta clicar aqui.

segunda-feira, 1 de junho de 2020

Os Sete Pecados da Guerrilha Urbana



 Trecho retirado do Mini-manual do Guerrilheiro Urbano, escrito por Carlos Marighella

"Assim como a guerrilha urbana aplica suas técnicas revolucionárias com rigorosidade e precisão, obedece às regras de segurança, ela ainda está vulnerável aos erros. Não há uma guerrilha urbana perfeita. O que se pode fazer é manter seu esforço em diminuir sua margem de erro porque não é perfeita. Um dos métodos que podemos utilizar para diminuir a margem de erro é conhecer os sete pecados da guerrilha urbana e tratar de evitá-los.

O primeiro pecado da guerrilha urbana é a pouca experiência. A guerrilha urbana, cega por seu pecado, pensa que o inimigo é estúpido, não considera sua inteligência, crendo que tudo é fácil e, como resultado, deixa pistas que podem causar seu desastre. Por sua pouca experiência, a guerrilha urbana pode sobrestimar as forças do inimigo, crendo que eles são mais fortes que ela. Deixando-se enganar por sua presunção, a guerrilha urbana então se intimida, fica insegura e indecisa, paralisada e falta de audácia.

O segundo pecado da guerrilha urbana é vangloriar-se de suas ações completadas e espalhá-lo aos quatro ventos.

O terceiro pecado da guerrilha urbana é vaidade. A guerrilha urbana que padece deste pecado trata de resolver seus problemas da revolução com ações nas cidade, mas sem preocupar-se com os princípios e sobrevivência da guerrilha em zonas rurais. Cegada por seu triunfo, ela começa a organizar ações que considera decisivas e que colocam em jogo todas as forças e recursos da organização. Já que não podemos interromper a luta guerrilheira nas cidades enquanto que a guerra rural não tenha estourado, nós sempre corremos o erro fatal de permitir que o inimigo nos ataque com golpes decisivos.

O quarto pecado da guerrilha urbana é de exagerar sua força e tentar fazer projetos que lhe faltam forças e, ainda, não tem a infra-estrutura requerida.

O quinto pecado do guerrilheiro urbano é a ação precipitada. O guerrilheiro urbano que comete este pecado perde a paciência, sofre um ataque de nervos, não espera por nada, e se joga impetuosamente na ação, sofrendo perdas inapreciáveis.

O sexto pecado do guerrilheiro urbano é atacar o inimigo quando eles estão mais enfurecidos.

O sétimo pecado do guerrilheiro urbano é o de não planejar as coisas e atuar improvisadamente."

sexta-feira, 6 de abril de 2018

Em 1946: A homenagem de Marighella a um general da FEB

Á esquerda da imagem o general Mascarenhas, proclamado como marechal naquele dia. No lado direito, o deputado Carlos Marighella proferindo o discurso em homenagem ao marechal e a FEB. (Foto: Tribuna Popular, 1946)

 Nos dias atuais, o Brasil viu o general Villas Bôas fazer sua aparição na mídia incitando uma eventual intervenção militar e inflamando ainda mais a instabilidade política do país. Muito tem se falado sobre a falta de idoneidade general-de-exército em estimular um novo golpe militar ao país. Como dizia o saudoso Lamarca: "Tarefa militar é tarefa política". Mas quando esta tarefa militar-política propõe aplicar algo que já mostrou-se danoso ao povo e ameaça voltar de novo, provoca-se uma série de direitos conquistados pós-ditadura. Em outros tempos, quando os militares da FEB (Força Expedicionária Brasileira) não tinham a proposta de serem golpistas como foram os de 1964 e como ameaçam ser os de hoje, generais eram recebidos com imensa satisfação pelo povo brasileiro por terem combatido para livrar a Itália do fascismo. 

 Em 1946, o general Mascarenhas de Morais, combatente na Campanha da Itália, foi homenageado no congresso brasileiro, valendo a ele a patente máxima de Marechal. Entre seus homenageadores estavam o deputado baiano Vieira de Melo (PSD). Além dele outro baiano, ninguém menos que o também deputado Carlos Marighella (PCB). Em homenagem ao militar, Marighella proclamou o seguinte discurso:

"Sr. Presidente. Sr. Marechal Mascarenhas de Morais. Srs. Ministros e demais autoridades presentes. Grande honra é para o Partido Comunista interpretar os sentimentos do nosso povo. Saudando a gloriosa Força Expedicionária Brasileira na pessoa de seu comandante em chefe. Para isso nos reunimos nesta casa - a mais alta encarnação da soberania popular - e como se fossemos uma única vontade - todos os partidos aqui representados - confraternizamos nesta homenagem a um valoroso cabo de guerra. 

 Sr. Marechal. Confirma agora esta Assembleia o apreço que vos tem. Pois - como sabeis - antes, neste mesmo recinto, por unanimidade de votos, vos haviam sido concedidas, sem a vossa presença aliás, as honras de Marechal de nosso glorioso Exército. A verdade é que nenhum patriota pode desconhecer o papel de nossos soldados e marinheiros de guerra. 
(...)

 Somos insuspeitos para dizê-lo sr. Marechal, nós os comunistas que vos saudamos. Perseguidos durante mais de duas décadas, reduzidos a uma ilegalidade brutal, presos e deportados na maior parte os novos dirigentes, não negamos o nosso apoio ao governo que fazia guerra contra o banditismo nazistas. 

(...)

 Quando mais não bastassem os esforços conjugados das Forças Armadas, do povo e do governo para esmagar o fascismo, pelo menos haveríamos de nos sentir recompensados com o resultados obtido - a volta do país a legalidade democrática. Vossa presença nesta Casa sr. Marechal, significa, por sem dúvida, um marco histórico na Marcha da Democracia, uma nova fase nos costumes políticos do país. 

(...)

 Cremos, porém, tenha sido o nosso governo advertido dos interesses da Nação. O Exmo. Sr. Gen. Eurico Gaspar Dutra é homem da lei, e - como vós - rijo soldado do nosso Exército. No alto posto que ocupa há de ver e sentir o que reina por entre nós. Como comunistas - e não cremos que outro seja o propósito das demais forças políticas aqui agrupadas - o nosso desejo é o apoio franco, leal e sincero ao governo. 

 Possa, assim, sr. Marechal, a vossa presença nesta Casa servir mais uma vez aos interesses da Pátria, e que, pela saudação que ora vos fazemos, saiba a Nação do clamor de todos os brasileiros por um governo de confiança nacional, pelo asseguramento da democracia com a nova carta constitucional, por cuja aplicação o Partido Comunista se baterá e da qual será defensor intransigente."

O discurso de Marighella remonta a uma importante frase: "Está fadada ao fracasso a esquerda que não está em sintonia com seus militares.", o Marechal Mascarenhas chegou a dirigir uma carta para o deputado comunista Milton Caires de Brito em agradecimento ao discurso pecebista. Em tempos onde vozes como a de Villas Bôas ecoam nos ouvidos do povo, faz-se cada vez mais importante uma alternativa de esquerda as infames declarações do oficial. Tal como ele, seu antecessor, Enzo Peri, chegou a dar ordem para os militares do exército não darem depoimentos a Comissão da Verdade. Por mais infeliz que seja, as viúvas da ditadura militar ainda estão nas fileiras das forças armadas, e com a crescente reacionária não têm mais medo de prejudicar ainda mais o país.

terça-feira, 29 de março de 2016

Em 1945, rubro-negros e tricolores se unem no futebol e na política

Dupla BaVi unida antes de uma partida. No meio de Istalino e Joel, está o árbitro Mário Vianna.
 Diferentemente do atual momento vivido no futebol baiano, no qual presidentes da dupla BaVi trocam farpas no caso Victor Ramos, na década de 40, ambas as equipes juntaram-se contras as arbitrariedades da FBDT (Federação Bahiana de Desportos Terrestres). A coincidência de semi-rivais unindo-se em prol de algo se deu no mesmo ano, no campo da política, quando o ex-presidente do rival, Lô Costa Pinto apoiou Marighella em sua campanha para deputado federal.

 No primeiro caso, o ainda Sport Club Victória, sob a presidência do Dr. Luiz Lago de Araújo chegou a pedir o afastamento da Liga Bahiana de Desportos Terrestres. Isso porque em 1944, o então presidente da federação, Antonio Bendocchi suspendeu os presidentes do Vitória, Bahia, Galícia e Fluminense de Feira. Naquele ano, quem assumiu a presidência da FBDT foi Orlando Gomes, e foi sob sua tutela que a federação pouco se queixou do afastamento rubro-negro, demonstrando acatamento após dirigir uma nota ao presidente do Leão.

 Foi em 5 de Outubro, que os clubes se reuniram na sede do Bahia. Com apoio do clube que viria a ser o seu rival, do Galícia e também do Flu de Feira, o Vitória encontrou forças para prosseguir na competição e até teve um de seus atletas entre os artilheiros, Siri.

 No mesmo ano, porém, cerca de dois meses depois, viria a acontecer as eleições gerais. O Brasil em processo de redemocratização, pós-varguismo elegeria seus deputados, dentre eles o baiano Carlos Marighella, candidato pelo PCB (Partido Comunista Brasileiro) na Bahia. Para a sua candidatura pelo partidão, Marighella teve o apoio de ninguém menos que Carlos Costa Pinto, conhecido também como Lô, que fora presidente do Bahia em 1937 e colega de curso de Marighella.

Em 1945, Marighella viria a ser eleito deputado federal pelo Partidão.

 Como conta a biografia "Marighella: o guerrilheiro que incendiou o mundo" de Mário Magalhães: "Ex-presidente do Esporte Clube Bahia e filho de um colecionador de arte, Lô era sócio da construtora que acabara de erguer o Edifício Oceania em frente ao farol da Barra". Se o amigo era tricolor, o então candidato era rubro-negro e discursava em Salvador tanto em denúncia a mortalidade infantil da época, quanto em prol da construção de um estádio de futebol. Isso culminou na construção da Fonte Nova em 1951, na mesma rua onde ele havia nascido. A eleição aconteceu em dezembro e Marighella se elegeu com 5188 votos.

quinta-feira, 10 de março de 2016

Em Minas, escola de boxe é criada com o nome de Marighella

Logotipo da Escola de Boxe Marighella.


 Em setembro de 2015, um professor de educação física teve como iniciativa a criação de uma escola de boxe voluntária no interior de Minas Gerais. Na cidade de Itabirito, que está localizada há 57 km de Belo Horizonte, deu-se a criação da Escola de Boxe Marighella, projeto que acontece num bairro simples da jurisdição e visa atrair o público infanto-juvenil para participar de atividades de luta, como é o pugilismo.

 Sendo o projeto, algo de espontânea voluntariedade, a escola se mantém a partir de rifas que são feitas para a compra de materiais, necessários ao treino, e também de patrocínios de comerciantes da localidade. Conta o professor Alexandre Sérvulo que a academia leva o nome de Carlos Marighella porque o reconhece como um dos maiores heróis nacionais, que lutou pela justiça e contra a opressão do homem pelo homem.

- Apesar de não ter sido boxeador, Marighella foi um grande lutador pelos ideais de justiça e praticava e reconhecia a importância de atividades físicas. - conta o professor.

O professor do projeto, Alexandre Sérvulo entre as crianças. Acima um poster de Carlos Marighella.

 A escola tem como intuito também formar ótimos boxeadores e a consciência crítica dos que participam. Dessa forma, parte do treinamento é dedicado a filmes, discussões, frases e tudo mais que sirva para desenvolver a consciência da importância tanto da luta nos ringues, quanto da luta por um mundo mais justo.

- No final de cada treino fazemos saudação a Carlos Marighella. - completou Alexandre.

Marighella e o boxe

 Se o percursor da escola admira a disposição de Marighella, de forma recíproca o ex-guerrilheiro era admirador do boxe. Nos ringues, o baiano era fã de Éder Jofre, tido por alguns como o maior peso-galo da história. Certa feita, nos tempos da ditadura militar, Marighella chegava a largar as reuniões do PCB para assistir pela televisão as lutas do pugilista.

 Conhecido como "Galinho de Ouro", Éder Jofre era sobrinho de Waldemar Zumbano, que por sua vez, era camarada de Marighella. Como conta a biografia "Marighella: o guerrilheiro que incendiou o mundo", escrita por Mário Magalhães, Zumbano por volta de 1930: "...era um boxeur que devido á perseguição policial vivia peregrinando pelo interior a desafiar fortões. Como sua identificação lhe custaria a liberdade, ele adotara o nome de Frank Éder, que uma irmã eternizou, em 1936, ao batizar o filho como Éder. O menino Éder Jofre se transformaria no maior lutador do boxe brasileiro, conquistaria os cinturões mundiais dos pesos galo e pena e teria como fã o capoerista Marighella.". 

E.C. Vitória e o boxe:

 Apesar de não ser um clube com atletas voltados para o boxe, o Vitória possui atletas no taekwondo, no judô, jiu-jitsu e no MMA. Por sua vez, o baiano Acelino "Popó" Freitas, um dos maiores nome do pugilismo no Brasil é torcedor nato do Leão da Barra, tendo sido um dos integrantes da principal organizada do clube, a Torcida Uniformizada Os Imbatíveis.

Popó entre os membros da Torcida Uniformiza Os Imbatíveis.