sexta-feira, 28 de setembro de 2018
Torcedoras do Vitória contra o fascismo
O direito à participação das mulheres no futebol nem sempre foi assegurado, de modo que ainda observamos resquícios de uma lógica que inferioriza, deslegitima e questiona a participação feminina, resumindo o seu papel ao mero "embelezamento" dos estádios.
Nos elencos profissionais persistem disparidades de investimento e valorização, sendo o E.C.Vitória um dos poucos clubes do Brasil a investir nas mulheres jogadoras, o que evidencia o compromisso do time com o protagonismo das atletas.
No entanto, nós torcedoras do rubro-negro ainda vivenciamos situações desconfortáveis a exemplo das já ultrapassadas "piadas" machistas, ofensas direcionadas às mulheres (mães, esposas), escassez de materiais femininos, insegurança no entorno dos estádios (especialmente para os jogos que terminam às 00:00), dentre outros fatos naturalizados.
Dessa forma, e cientes dos desafios que se colocam para consolidação da participação feminina na esfera pública e no futebol em particular, é que nós rubro-negras vimos a público denunciar e repudiar o posicionamento racista, misógino, lgbtfóbico e anti-povo do candidato Jair Bolsonaro (PSL) que se coloca como claro obstáculo à ampliação e garantia dos direitos historicamente conquistados pelas mulheres brasileiras ao longo dos últimos anos.
Um parlamentar que homenageia torturadores acusados de práticas degradantes contra mulheres durante o regime militar, que incluía estupros, agressões e a colocação de ratos em seus órgãos genitais, advoga pela redução da já insuficiente licença-maternidade, defende a diferenças salariais pela condição de gênero e apresenta projetos de lei que negam assistência às mulheres vítimas de violência sexual pelo SUS, é incompatível não apenas com o projeto político que acreditamos, mas com o próprio Estado Democrático de Direito.
Em tempo, convidamos todos e todas a comparecer neste sábado (29) às 15h no Campo Grande para o grande ato nacional contra o facismo!
Subscrevem essa nota:
Bete Dantas (Sócia do ECV/Torcida Os Imbatíveis)
Elisa Gallo (Sócia do ECV/Brigada Marighella)
Poliana Rebouças (Sócia do ECV/ Brigada Marighella)
Fernanda Castro (Brigada Marighella)
Fernanda Leite (Torcedora do Vitória)
Manuela Silveira (Sócia ECV/Brigada Marighella)
Gabriela de Gardênia (Brigada Marighella)
Cecília Silva (Sócia ECV/Brigada Marighella)
Marilia Nascimento Pinto (Brigada Marighella/Instituto Araçá)
Cajuh Almeida (2ª Diretora de Universidades Publicas da UNE)
Lorena Lima (Torcedora e professora de História)
Liana Leite (Conselheira do ECV)
Erika Souza (Conselheira do ECV)
Barbara Ribeiro (Conselheira do ECV)
Juliana Malhado (Conselheira do ECV)
Lilian Garrido (Conselheira do ECV)
Luana Soares (Brigada Marighella/CONEN-BA)
Karen Machado (Sócia do ECV/Torcida Os Imbatíveis )
Láisa Franco (Torcedora do Esporte Clube Vitória/ Torcida Os Imbatíveis)
Ilana Santos ( Torcedora e Técnica em Logística)
Jamile Brito - Sócia Torcida Os Imbatíveis / cabeleireira
Leila Feitosa (Torcedora do ECV/Leoas da Barra)
Pricila Costa (Torcida Os Imbatíveis)
Luiza Guimarães (Torcedora do ECV)
Fernanda Glória (Torcedora do ECV/Torcida Os Imbatíveis )
Juliana Maltez (Socióloga/Torcedora do Vitória)
Mayra Kelly (sócia do ECV/ Torcida Os Imbatíveis)
Maria Teresa (Torcida Os Imbatíveis)
Laís Paulo (Torcedora do ECV/ Assistente Social )
Maria Vitória Macena ( Torcedora do ECV)
Jessica Matos (Torcedora do ECV/ Educadora)
Maria da Paixão Murici ( Conselheira ECV)
Sergiane Santos ( Torcedora do ECV)
Lorena Silva (Torcedora do ECV )
Carolina de Jesus Silva ( Torcedora do ECV)
Ingrid Franco (Torcedora do ECV/ Estudante de Engenharia )
Bruna Menezes (Torcedora do ECV / Graduada no curso de Serviço Social pelo UFBA / Militante Feminista)
Natália Vieira (Torcedora do ECV/ Torcida Os Imbatíveis)
Maria de Lourdes Guimarães Dourado (Assistente Social / Torcedora do ECV)
Iasmim Ornelas (Torcedora do ECV)
Amanda Silva (Torcedora do ECV)
Larissa Franco ( Torcedora do ECV/ Estudante de Arquitetura e Urbanismo)
Marina Rosado (Assistente Social)
Gabriela Martins de Oliveira (Torcedora do ECV)
Ivana Santos (Torcedora do Esporte Clube Vitória/ Estudante de Artes na Universidade Federal da Bahia
Grazielle Freitas (Torcedora do Vitória)
Michele Sodré (Professora de história e torcedora)
Emili Gonçalves dos Anjos (Torcedora ECV)
Indianara Santos Nascimento (Torcedora do Vitória)
Natália Bugarin (Torcedora do vitória)
Dejaci Santos Silva(Torcedora do ECV/ Coordenadora Pedagógica)
Denise Silva de Souza (Torcedora do ECV/ Coordenadora Pedagógica)
Denise Serra Costa (Professora / Torcedora do ECV)
Sandra Carla Oliveira ( Torcedora do ECV)
Sandra Cristina Souza( Torcedora do ECV)
Iara Magalhães Miranda Santos (Torcedora do ECV)
Mila D'oliveira (Sócia do ECV)
Clara Dourado (Sócia do ECV)
Lailla Santana (Torcedora do ECV/ Torcida Os Imbatíveis)
Lara Rios (Sócia do ECV)
Fátima Uane ( Torcedora do ECV)
Luana Beatriz ( Torcedora do ECV / Sócia da Torcida Os Imbatíveis)
Rosiele Alves (Torcedora do ECV)
Lara Salles (Torcedora do ECV)
Laís Santana (Torcedora do ECV)
Thaís Caldas (Torcedora do ECV)
Michele de Jesus (Sócia do ECV/ Torcida Os Imbatíveis)
Keila Santos (Administradora/ Sócia do ECV)
Rute Santana (Torcedora ECV)
Wesley (Sócio/ Brigada Marighella)
Donato de Assis (Sócio ECV/ Vitória Popular/ Brigada Marighella)
Diego de Assis (Sócio do ECV/ Vitória Popular/Brigada Marighella)
Frederico Neto (Brigada Marighella/ Vitória Raiz
Vítor S S Santos (Brigada Marighella)
Vinícius Calmon (Diretor da UBES/ Sócio do ECV)
Davi Leite (/Brigada Marighela)
Eduardo Pereira (Brigada Mariguela)
Marivaldo Cerqueira (Brigada Marighella)
Rafael Matos (Sócio ECV/Brigada Marighella)
Artur Mota (Sócio ECV/Brigada Marighella
Caio Fernandes ( Professor de História)
Rafael Portela (Brigada Marighella)
Sheltom Aragão (Brigada Marighella/ Professor de Português)
Diogo Ferreira de Almeida Rêgo (Sócio do ecv - brigada marighella - professor de administração)
Lucas Grisi (Sócio do ECV/ Brigada Marighella)
Rafael Lucas (Vitória Popular)
Icaro Simões - Sócio do ECV / Brigada Marighella
Bendito Carlos Libório Caires - Professor de Educação física da Universidade Federal de Sergipe - Brigada Marighella - Diretor Nacional ANDES-SN
Wendel Raposo (Sócio ECV/Recanto Rubro-negro)
Laércio Santos /FNL E torcedor do ECV
Luís Carlos Santana (Sócio do ECV / Profissional de Educação Física)
Tarcísio Mota Cardoso (Sócio do ECV/ Brigada Marighella)
Felipe Mota (Sócio ECV/Torcida Os imbatíveis)
Maurício Cerqueira (Sócio do ECV)
Ricardo Oliveira (Sócio do ECV/Torcida Os Imbatíveis)
Welber Magalhães (Torcedor do ECV / Residente Multiprofissional em Saúde)
Vinicius Araújo (Sócio ECV/Torcida Os Imbatíveis)
Eduardo Lima (Torcida Os Imbatíveis/ Sócio do ECV)
Mário Smith ( Brigada Marighella/ Artista / Membro do Comitê Internacional de Dança)
Maiquel Vinicius dos Santos e Santos (Sócio do ECV / Técnico em Plásticos)
Adam Alves ( Torcedor do ECV)
Luís Vinicius ( Sócio do ECV)
Daniel Caribé (Sócio do ECV/Brigada Marighella)
Leonardo Vitorino ( Sócio ECV / Brigada Marighella)
Rubem de Sousa Marques Filho ( Sócio ECV/ Sócio Torcida os Imbatíveis/ Educador Físico)
Marcelo Fernandes Pereira da Silva (Torcedor do ECV)
Enderson Araújo (Torcedor do ECV/ Mídia Periférica)
Felipe da Mata (Sócio2 ECV)
Tiago Bittencourt (Conselheiro/ Vitória Sem Fronteiras)
Vitor Sarno Brasília/DF (Brigada Marighella/Vitória Candango)
Antonio Teixeira (Brigada Marighella)
José Guerra Conselheiro/Vitória Candango/Brigada Marighella
Fernando Tolentino (Sócio, Conselheiro, Brigada Marighella Candang
Elissandro Trindade (sócio ecv/ frente vitória popular
Guto Noronha (torcedor ECV / Militante LGBTIQ+)
Ícaro Vergne (Brigada Marighella)
Vinícius Alem (Brigada Marighella)
Emanoel Tadeu Dias (Professor e membro da Brigada Marighella)
Rafael Bastos (sócio torcedor, Brigada Marighella e Vitória 40 graus - RJ)
Samuel Matos (Sócio ECV)
Cauã Dominguez (Torcedor do Vitória/Cadeira cativa)
André Maron (Brigada Marighella)
Dudu Ribeiro (Brigada Marighella)
DJ Bomfim (Torcedor do ECV/ Levante Popular da Juventude)
Fábio Sacramento (torcedor do ECV)
Rafael Dourado (Sócio ECV/Brigada Marighella)
Tiago Jerran (Sócio/Conselheiro ECV)
Anderson Nunes ( Sócio do ECV / Conselheiro do ECV)
Irlan Simões ( Coselheiro / PPGCOM/ UERJ)
Fábio Monteiro (Jornalista)
Victor Iury Alcântara (Torcedor do ECV/Fisioterapeuta e Professor de Jiu-Jitsu)
Jurandir Júnior (Torcedor do ECV)
João Paulo Guimarães da Silva (Torcedor do ECV/ Os Imbatíveis)
Pedro Tavares (Torcedor do ECV/ Servidor Público)
sexta-feira, 6 de abril de 2018
Em 1946: A homenagem de Marighella a um general da FEB
segunda-feira, 26 de março de 2018
Nota de repúdio ao novo vídeo divulgado pelo jogador Vinícius do Esporte Clube Bahia
Nós, torcedoras e torcedores da Brigada Marighella do Esporte Clube Vitória, afirmamos que mais uma vez o jogador mencionado age em tom de violência, de deboche, e de forma desrespeitosa às mulheres, mostrando-se sem nenhum pudor sobre seus atos. Como todas e todos sabem, o primeiro vídeo ocorreu às vésperas do primeiro clássico e foi circulado em redes sociais. Agora, reta final de um campeonato baiano em mais um clássico, as cenas se repetem.
A nossa indignação vem somada às não respostas de certas representações formais como a diretoria do time rival, da justiça e da mídia. Quando estas se mostram ausentes, além de dar legitimidade a tais atitudes, continua-se a reproduzir o machismo com afirmação sem precedentes do que nos é simbolicamente impostos desde sempre: espaços de subserviência, subalternidade e abuso sexual, afinal de contas, o que seria "traçar a mãe deles" senão a denotação explícita da dominação masculina?
Ao contrário do que é falado constantemente do modelo atual de futebol como um não espaço para manifestações políticas -- em tempos de golpe e barbárie, expor qualquer opinião contrária à (des)ordem é uma afronta --, nós acreditamos e fortalecemos outros pensamentos. Acreditamos que como um espaço de ocupação popular e dispostas de pensamentos, é preciso a todo instante mostrar e reafirmar nossas pautas.Todo espaço coletivo é político e tornar explícitas essas posições é uma questão de honestidade moral e intelectual. A cada dia as mulheres passam a ocupar espaços antes negados, como as próprias arquibancadas dos estádios de futebol. Esse caminho não tem volta.
E por tal, precisamos rever as posturas de pessoas que estão ali para representar a nossa paixão (o time).
Como continuar andando num ambiente com frases proferidas que estimulam a violência sexual contra mulheres? Como ir a um estádio onde os olhares são a todo instante fitados nas vestimentas femininas, no corpo feminino? Jamais aceitamos e continuaremos lutando contra a violência sexual e a desumanização das mulheres. Exigimos um posicionamento público das diretorias do Esporte Clube Vitória e principalmente do Esporte Clube Bahia, além de punição ao jogador citado pelas violências cometidas em sua fala registrada em vídeo do Vinícius Goes Barbosa de Souza.
Brigada Marighella e Brigada Dandara
Nem perdoaremos, nem esqueceremos!
#MarielleVive
terça-feira, 5 de dezembro de 2017
Eleições no EC Vitória: a torcida precisa cobrar dos candidatos!
Ufa, ficamos! A sensação na torcida do Vitória é somente uma: alívio. E, apesar de tudo, estamos na Série A do Campeonato Brasileiro de 2018. Mas a torcida também sabe que não precisávamos passar por tanto sofrimento e que podemos muito mais do que lutar para não ser rebaixados. Foi a incompetência das últimas diretorias a culpada pelo sufoco e decepções, todos nós sabemos. E é por conta disso que nas eleições que se aproximam, para escolher o futuro presidente do EC Vitória, os/as associados/as devem escolher um candidato que se comprometa ser mais eficiente, menos amador, mais capaz de administrar o clube.
Nós concordamos, pois também queremos um time vencedor. Entretanto, pedimos à torcida que não se esqueça de outra coisa. Não podemos retroceder na única grande conquista dos anos de aperto: a democratização do clube. É graças a esta democratização que o clube passa a ser do/a seu/sua torcedor/a, e poderemos agora escolher entre os candidatos e, se for o caso, tirá-los se não estiverem fazendo um bom trabalho ou usando do clube para alcançar fins escusos. É graças a ela, a democracia, que poderemos participar desse curto período eleitoral, e os candidatos terão que vir até nós para prometer algo em troca do nosso voto. Portanto, o futuro presidente não será mais uma vez escolhido às portas fechadas por conselheiros que não representam a diversidade da massa rubro-negra.
Alguns propagam que entre democracia e títulos, ficam com o segundo. Nada mais falso! A democracia já mostrou ser uma forma de gestão muitíssimo mais eficiente do que as gestões autocráticas e ditaduras. A democracia, mesmo que ela seja limitada, permite que nossas opiniões sejam ditas e que exijamos formas de controle sobre os administradores/governantes. Sem os mecanismos democráticos, estaríamos muito mais ferrados no Vitória, no país, no mundo! Ampliar a democracia no Vitória é tornar do clube uma organização mais eficiente.
Pois bem, a Brigada Marighella luta pela democratização do Vitória desde sua origem e gostaríamos de convidar a torcida para fazer o mesmo junto com a gente e tantos outros. Cobre dos candidatos o compromisso com a abertura do clube, mas cobre propostas concretas, nada de palavras vazias. O que os candidatos tem a nos oferecer? Como participaremos das decisões importantes no EC Vitória de agora para frente? Qual poder e relevância terão os/as associados/as e torcedores/as caso A ou B vença as eleições?
Além disso, acreditamos que um time democrático é também um time popular. Precisamos cobrar dos candidatos respostas concretas a respeito, por exemplo, do Barradão. O Barradão mudou a história do Vitória e graças a ele somos um time com a torcida presente em todos os bairros de Salvador, principalmente os mais pobres. Estamos em todo o estado e o Vitória já não joga sozinho por mais distante que esteja sendo o jogo. Não queremos que façam do Barradão uma arena fria, elitista, segregadora e com ingressos caros. O Barradão é o lugar de festa, da alegria, da comunhão entre rubro-negros/as e, sempre, dos que se sacrificam para poder acompanhar um jogo do nosso time. Abrir mão do caráter popular do Barradão seria voltar para o passado no qual só os ricos torciam para o Vitória. O que os candidatos pretendem fazer com o Barradão e como pretendem ampliar a participação de todos/as os/as torcedores/as no estádio? É preciso que respondam desde já, de forma objetiva.
Torcedor/a do Vitória: é hora de cobrar! Candidatos, queremos propostas concretas!
Brigada Marighella
segunda-feira, 13 de novembro de 2017
Futebol e polítca: uma relação brasileira mais que explícita
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| Santinhos de ex-jogadores e esportistas nas eleições gerais de 1986. |
"Futebol e política (e religião) não se discutem", assim diz um famoso mantra nacional. O fato é que a relação do futebol com a política no Brasil transcende gerações e antecede o discurso de que não se deve misturar o esporte bretão a política. No Vitória em específico a política sempre esteve presente na vida do clube. Desde sua fundação até a década atual não faltou no conselho do clube políticos entre a dirigência e o conselho do Leão da Barra. O fato vivenciado no rubro-negro ao longo dos seus 118 anos faz também parte de outros diversos clubes do futebol nacional. De Norte a Sul a cartolagem política se fez presente no esporte mais querido da nação, seja por paixão ou promoção eleitoral.
segunda-feira, 23 de outubro de 2017
REPÚDIO A MAIS UM CASO DE RACISMO NO FUTEBOL BAIANO
No último clássico entre Bahia e Vitória, no dia 22 de outubro, nos deparamos com mais um caso de racismo no futebol baiano. Dessa vez, foi o atacante rubro-negro Santiago Tréllez que foi acusado de proferir palavras que abalaram o meio campo tricolor, Renê Santos. Nós, membros da torcida antifascista e antirracista Brigada Marighella, repudiamos o fato, e reivindicamos que os dois clubes tratem a situação por meio de pessoas devidamente qualificadas para abordar casos de racismo, envolvendo pedagogias e especialistas que possam primordialmente cuidar da vítima e evitar a perpetuação desses casos. O enfrentamento ao discurso de ódio, seja qual for, não se dá meramente por mecanismos punitivista, principalmente no atual sistema judiciário brasileiro.
Casos de racismo têm sido colocados à tona recentemente no futebol baiano, e enfrentam o persistente mito de que aqui é um "paraíso da democracia racial". Vale lembrar que em 2017 tivemos atos racistas de torcedores que afetaram o meio campo Feijão de Ogun, do Bahia. Também tivemos denúncias de que o zagueiro Lucas Fonseca, do Bahia, proferiu ofensas de cunho racistas ao também zagueiro Kanu do Vitória no primeiro BaxVi do ano, mas não foi sequer discutido pela grande imprensa esportiva. Nessa segunda situação, se pessoas capacitadas fossem convidadas a se pronunciar por meio da imprensa, ou discutir internamente nos clubes, teríamos menos chances de uma repetição agora.
O futebol, algo chave para forjar uma identidade baiana a partir do século XX, não ficou de fora das chagas de uma região que fora um polo escravista internacional durante quase quatrocentos anos. Os seus dois principais clubes, Bahia e Vitória, são originários de elites posteriormente incumbidas de implementar estratégias de branqueamento na nossa sociedade. Nos seus anos primeiros, o futebol baiano testemunhou diversas expressões desse processo, como a proibição da prática do futebol popular nas ruas.
O racismo também estava expresso no estatuto do clube Yankee, que proibia negros e trabalhadores braçais no seu quadro de associados. Ou mesmo as diversas cisões das ligas desportivas, onde o próprio Victória e o Bahiano de Tênis (origem do atual E.C. Bahia) se negaram a atuar nos mesmos certames que clubes de origem negra e popular. Porém, ambos, tornaram-se paulatinamente clubes que arrebatam multidões negras, e tiveram que tecer estratégias de ocultamento dos seus conflitos raciais, com ajuda da grande imprensa. Nada diferente do conjunto da sociedade baiana.
Vivemos em uma terra na qual determinados códigos racistas são naturalizados a fim de manter a imensa desigualdade entre negros e brancos - usar o termo "neguinho" num contexto pejorativo, é um absurdo comum da nossa gramática-, mas que não conseguem escapatória ao se fazer uma leitura apurada das estatísticas, haja vista os dados de encarceramento e os de homicídios. São códigos que se interseccionam profundamente com questões de classe e gênero no nosso dia a dia, e no futebol se refletem nos corpos e concepções que controlam as suas diretorias e processos políticos, no atual modelo de gentrificação dos estádios e arenas, e todas as formas de coisificação do torcedor.
No caso mais recente, ao que as evidências indicam, Tréllez saiu de códigos naturalizados aqui, chamando Renê de macaco. Depois, para negar a ofensa, engendrou códigos de uma sociedade com semelhanças à Colômbia, seu país de origem, onde a presença negra e a miscigenação são significativas, e enfatizou a sua herança paterna e um autorreconhecimento negro. No fim, ele não nega ter chamado Renê de macaco. Sabemos que não falta no Brasil, principalmente na Bahia, gente racista que sempre utiliza argumentos como estes a fim de não enfrentar o racismo. O racismo brasileiro é tão perverso que até a tipificação criminal nesses casos de ofensas têm se demonstrado um aliado, pois, ao não chegar às vias de uma condenação, abre-se possibilidade para negar o ocorrido. Não há nada de sutil no racismo no Brasil ou qualquer outro país da América Latina.
Vimos nos representantes dos dois clubes, e na grande imprensa, atos que demonstram incapacidade de tratar do problema. Técnicos, jogadores e dirigentes, dos dois lados, não conseguiram captar a profundidade da indignação de Renê Santos, e consequentemente não ofereceram leituras, atos e propostas consistentes para o problema. Levaríamos muitas linhas para problematizar cada resposta ao ocorrido de Carpegiani, Wallace, Mancini e Marcelo Santana. Dizer-se contrário ao racismo é apenas um passo. Temos que enfrentar também as estruturas que o perpetuam nas suas ambiguidades, a falsa meritocracia, e a expropiação da cultura negra. Discursos de ocasião não ajudam muita coisa. Muito menos criar uma ilusão que são casos excepcionais a fim de tapar as chagas do racismo presente no passado e presente dos dois clubes.
No caso do Vitória, nosso papel de apontar responsabilidades é ainda maior, pois somos torcedores desse clube. Foi lamentável a atitude do presidente em exercício Agenor Gordilho em tentar amenizar a situação. Nos fez recordar a sua herança, quando o chefe de Polícia Pedro Azevedo Gordilho, perseguia capoeiras, sambistas e praticantes de religiões afro-brasileiras entre os anos 1920 e 1930 em Salvador. Espera-se uma atitude mais objetiva deste e demais dirigentes do clube para não repetirmos ações como a do ex-presidente Paulo Carneiro, que proferiu ofensas racistas ao goleiro Felipe em 2005, e utilizou as mesmas desculpas de Tréllez.
Força, Renê!
Salvador, 23 de outubro de 2017.
Brigada Marighella
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017
Popó... o artilheiro baiano que driblou o racismo
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| Popó pela Seleção Bahiana em 1934. |
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| Um esboço do Craque do Povo com a camisa do Ypiranga. |







